AO ENCONTRO DE ANDRÔMEDA
Como se não bastasse vivermos em um aquário sideral; sim, porque um planeta que tem 75% da sua massa composta por líquido nada mais é do que um aquário. É uma bola cheia de água que viaja espaço afora, sacolejando pelos efeitos dos repuxos do astro mor, girando em torno desse monstro incandescente, que cospe labaredas e ondas eletromagnéticas.
E ainda, como se não bastasse não saber ao certo de onde estamos vindo, qual o nosso destino, e, mais especificamente, o que iremos lá fazer, temos agora mais uma urgente preocupação a preencher a insônia cotidiana de todos nós terráqueos. É o mais recente alerta da comunidade astronômica mundial. Trata-se da inevitável e iminente colisão entre a galáxia que habitamos, a Via Láctea, e uma outra galáxia gigante chamada Andrômeda. Estamos nos aproximando de Andrômeda a uma velocidade de um milhão de km/h. Isto significa que não viajaremos mais que dois milhões e cem mil anos luz para nos esborracharmos sobre Andrômeda.
O baque vai ser grande. Preparem-se para catar os cacos. O melhor de tudo é que algumas galáxias têm densidade muito baixa, o que permite que, no momento do choque, uma galáxia passe por dentro da outra. Isso é mais espetacular ainda. Imagine-nos viajando a uma velocidade de um milhão de km/h, passando por dentro de uma outra galáxia e despencando, universo adentro, sem destino. O espetáculo está por vir. Aguardemos, pois!
Por enquanto, contentemo-nos com o marasmo de tsunames, efeito estufa, tornados e el ninho.
O aquecimento global de meros 0,2 graus Celsius por década é uma pechincha.
É tudo muito pouco para quem aguarda por Andrômeda.
Edme Oliveira Machado
