CANCAROTE

O Cancarote é um lugar habitado pela simplicidade e pela despretensão. Há quem diga que, a depender do ângulo, é também um caminho para a roça ou um caminho de volta para casa, para a infância, para a origem. Há quem diga!

Monday, November 20, 2006

A DANÇA DOS LAÇOS


Sempre brinco com um meu colega de trabalho, Abel Neto, alegando que ele é filho da própria tia. Na verdade, não há nada de estranho. Simplesmente, a mãe deste meu colega morreu do parto em que ele nasceu tendo o seu pai se casado com a cunhada, fato comum em muitas regiões deste imenso Brasil. Assim, Abel pode ser considerado filho da tia ou, se preferir, sobrinho da mãe.

A partir deste mês, passei a compartilhar de situação semelhante à de Abel, uma dessas confusões proporcionadas pelo emaranhado dos laços consangüíneos. Na segunda-feira, 21 de agosto, nasceu a pequena Luísa. Por ser neta do meu irmão e filha da minha sobrinha Rita, Luisa é minha sobrinha-neta. Ocorre que a minha cunhada Alice, que é minha prima, prima e esposa do meu irmão e avó de Luísa, é também sobrinha do meu avô, que, por conseguinte, é irmão do pai de Alice, minha cunhada. Esta circunstância faz do bisavô de Luísa, Inácio, meu tio-avô. Coincidentemente, tio-avô é a mesma relação que me une a Luísa, já que, sendo irmão do avô de Luísa, ganhei esta honrosa distinção. Em resumo, eu sou tio-avô de Luísa, que é bisneta do meu tio-avô.

Toda essa confusão surgiu com a simples e despretensiosa constatação do meu tio Inácio, o bisavô coruja que, ainda no hospital, nos brindou com a seguinte assertiva: “a minha bisneta é trineta do meu irmão!”.

Como se não bastasse toda esta ginástica genealógica, fiquei com a árdua incumbência de explicar ao meu filho Igor, de cinco anos, que é bisneto do trisavô de Luísa, qual o seu real parentesco com o pai de Luísa, Germano, o último a entrar nessa dança dos laços consanguíneos.

O remédio é apelar para Deus...ou para o Santo.

Desconfiado de que todo o meu esforço dialético tenha sido inútil, recorro à sabedoria de Santo Agostinho, em seu diálogo “De Magistro”, em busca de um exercício para “refrescar” o raciocínio. Diz Santo Agostinho:

“O nome é sinal audível dos sinais audíveis, enquanto as coisas audíveis são também sinais audíveis, mas não sinais de sinais audíveis, e sim de coisas em parte visíveis, como Rômulo, Roma, rio; em parte inteligíveis, como virtude.”

Agora sim. Tudo ficou mais fácil!
Louvado seja o Santo!!
Edme Oliveira Machado

2 Comments:

  • At Wednesday, February 28, 2007, Blogger Unknown said…

    adorei a dança dos laços...perfeito!!!adorei o blog...vc é muito talentoso meu amigo.tenho muito orgulho de ser sua amiga...e tenho certeza q vc ainda fará sucesso, pois para tamanha inteligencia, certamente haverá um bom espaço para poder fazer-se notar...
    bj

     
  • At Tuesday, December 08, 2020, Anonymous Igor Guedes said…

    Até hoje(com 20 anos) eu não compreendi meu parentesco com o pai de luísa

     

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